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Organização criminosa sediada em Esteio aplicava “golpe dos nudes” em sete estados

Mais uma organização criminosa envolvida com o “golpe dos nudes” é alvo da Polícia Civil. Ao amanhecer desta quinta-feira, a DP de Esteio, sob comando da delegada Luciane Bertoletti, desencadeou a operação X-Con que resultou em 20 prisões por extorsão, estelionato e associação criminosa. No total, são 32 investigados pelo crime.

Houve o cumprimento de mais de 100 ordens judiciais contra uma organização criminosa que atuava ao menos no Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Tocantins e Pernambuco. As investigações já identificaram vítimas em Esteio, Porto Alegre, Canoas, Charqueadas, Montenegro, Novo Hamburgo, Alvorada e Viadutos.

Tratam-se de 44 mandados judiciais de busca e apreensão, 32 prisões preventivas, 25 quebras de sigilo bancário, 12 sequestro de veículos e um sequestro de imóvel, além de 32 bloqueios de mais de 200 contas bancárias. Cerca de 250 policiais civis foram mobilizados. Dinheiro, armas, munições, telefones celulares e cartões bancários foram recolhidos.

A delegada Luciana Bertolletti observou que “a investigação durou cinco meses e desvendou uma organização com núcleo em Esteio e que atuava em todas as regiões do Brasil, fazendo vítimas em sete estados”. Para ela, o maior objetivo da operação, além de prender os criminosos, é “devolver o valor para as vítimas”.

Já o diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (2ªDPRM), delegado Mario Souza, destacou que “o uso de artifícios como a imagem de autoridades com objetivo de aplicar golpes em pessoas tem que ser apurado” e que “os investigados possuíam um esquema elaborado para causar prejuízos às pessoas”.

Ele enfatizou inclusive que “nenhum delegado, policial ou outra autoridade pede valores por mensagem de aplicativo ou qualquer outra forma” e que “as pessoas devem denunciar e procurar a polícia em qualquer suspeita”.

GOLPE

O “golpe dos nudes” consiste em um primeiro contato geralmente pela rede social Facebook ou pelo aplicativo WhatsApp, onde uma pessoa jovem e bonita instiga a vítima a trocar mensagens de cunho sexual e fotos íntimas. Na sequência, outra pessoa se apresenta como pai da jovem, dizendo que a filha é menor de idade e a conduta da vítima é crime de pedofilia.

Para não denunciar a pessoa às autoridades policiais, o suposto pai exige depósitos em dinheiro. Na maioria das vezes, após o recebimento de valores, o golpista continua exigindo dinheiro ao alegar que haverá a necessidade de submeter a filha ao tratamento psicológico ou até o enterro dela em razão dos graves danos psicológicos sofridos.

É bastante comum também nesses casos a presença de uma quarta pessoa envolvida, que se apresenta como policial, sobretudo delegado, usando muitas vezes com fotos e nomes reais dos servidores da segurança pública retirados das redes sociais. O falso policial diz que está sendo registrada uma ocorrência, e que será expedido mandado de prisão contra a vítima, que fica desesperada e aceita depositar mais dinheiro para o arquivamento do caso que na verdade inexiste.

Fonte: Foto: PC / Divulgação / CP, Correio do Povo

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