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Uma edição especial do projeto “Viva o Centro a Pé” marcou, durante a Feira do Livro de Porto Alegre neste sábado, o Dia da Consciência Negra, que ocorre nesta semana. Promovido pela Secretaria Municipal de Cultura, o tradicional passeio teve como tema o Museu de Percurso do Negro. A atividade, guiada pelo historiador Pedro Rubens Vargas, passou por locais que contam a história da etnia na capital gaúcha.
O ponto de encontro foi ao lado do monumento “O Tambor”, na Praça Brigadeiro Sampaio, o primeiro marco escultural de referência negra na cidade, inaugurado em 2010. “Este ponto, nos tempos da escravidão, era conhecido como Largo da Forca, onde os negros sentenciados e condenados à morte eram enforcados”, explicou Vargas, um dos idealizadores do museu. Sob os olhares dos visitantes que se inscreveram para a fazer o passeio, ele contou a história da iniciativa que se tornou um resgate histórico a céu aberto em Porto Alegre. “A ideia surgiu nos anos 1980, mas somente depois de 2000 que se materializou. Todas as etnias têm suas trajetórias contadas a partir da ideia do trabalho, mas os negros costumam ser lembrados pela cultura. Os negros trabalharam também, e muito”, afirmou o historiador.
Fruto de uma articulação entre Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Projeto Monumenta do Ministério da Cultura e Prefeitura de Porto Alegre, o Museu de Percurso Negro foi uma ideia do Centro de Referência Afrobrasileira (Crab). Pois foram militantes do Crab que seguiram os passos dos antigos griôs, os “detentores da memória”, normalmente pessoas mais velhas que transmitiam as antigas histórias aos mais novos. Os marcos do museu foram criados com esta premissa. Outra curiosidade da caminhada, a explicação para o nome “Redenção” ao Parque Farroupilha, no bairro Cidade Baixa. “Começou ser chamado assim depois da libertação dos escravos no terceiro distrito de Porto Alegre, em 1884, quatro anos antes da Lei Áurea ser sancionada”, esclareceu Vargas.
Com o clima favorável para o passeio, o trajeto seguiu a programação planejada e ainda passou pelo Pelourinho, na Igreja das Dores, onde os negros sofriam chibatadas e faziam suas súplicas, Largo da Quitanda, onde está a Pegada Africana (Praça da Alfândega), a Esquina do Zaire, na avenida Borges de Medeiros com a Rua dos Andradas, e encerrou no Mercado Público. “O museu é orgânico, é a vida das pessoas. Essa é a caminhada do negro pela história de Porto Alegre”, acrescentou o historiador.
Fonte: Correio do Povo