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Jurista e escritor José Paulo Cavalcanti Filho toma posse na cadeira 39 da Academia Brasileira de Letras

O jurista e escritor pernambucano José Paulo Cavalcanti Filho tomou posse, na noite de sexta-feira (10), como novo ocupante da cadeira 39 da ABL (Academia Brasileira de Letras), sucedendo ao ex-vice-presidente da República, advogado e professor Marco Maciel, que morreu em junho de 2021.

Em seu discurso na sede da academia, no Rio, Cavalcanti Filho, de 73 anos, disse que os objetivos da ABL foram traçados por Machado de Assis há 125 anos. “Está nos artigos primeiros do estatuto, que é a defesa da língua e da cultura. Eu penso que a gente tem que retraduzir esses conceitos para dar-lhes maior atualidade. A defesa da língua é mais do que a defesa de alguns símbolos. Eu penso que não há nada mais urgente e revolucionário do que a educação popular. Criar cidadãos. E cultura significa reconhecer a identidade nacional que está faltando”, disse.

O escritor afirmou que é preciso, agora, retraduzir esses conceitos, para que eles ganhem maior atualidade. A defesa da língua, para ele, significa ir adiante e aprender que há dois Brasis afastados, sendo “um que fala a língua oficial e outro de determinados cidadãos comuns que, usando versos do poeta pernambucano Manuel Bandeira, na Evocação de Recife, falam a língua errada do povo, língua certa do povo”.

O novo imortal da ABL destacou que é preciso também compreender que não há nada mais “moderno, urgente, transformador, revolucionário e democrático do que a educação popular”. Ou seja, “permitir que os brasileiros sejam cidadãos e possam, informados, decidir os seus destinos”.

Ele disse que a cultura tem de ser vista com uma visão mais ampla. “Compreender que nós somos diferentes e ir além, compreender que essas diferenças nos inquietam e que seremos ainda mais ricos se formos capazes de prestigiar essas diferenças. É compreender um povo, quem somos como brasileiros, e valorizar a nacionalidade”, declarou.

Cavalcanti Filho tem livros publicados em 12 países, entre eles “Fernando Pessoa — Uma Quase Autobiografia” (2011). Ele é um colecionador de objetos pessoais do poeta português.

Fonte: Foto: Dani Paiva/ABL, Redação O Sul 

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