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O resultado da perícia no corpo de Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, apontou que o jovem morreu em decorrência de um golpe por objeto contundente, e não por afogamento. O laudo foi divulgado pela cúpula de Segurança Pública do Estado, na manhã desta segunda-feira (29), durante coletiva de imprensa.
Gabriel estava desaparecido desde o dia 12 de agosto, após uma abordagem da Brigada Militar, em São Gabriel, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. O corpo do jovem foi encontrado submerso em um açude, uma semana depois, na localidade de Lava Pés, zona rural do município. Três policiais militares são investigados por envolvimento no caso.
O exame também mostrou que Gabriel apresentava marcas no pescoço e sofreu uma lesão na cervical, o que provocou uma hemorragia interna, além de já não estar respirando quando foi deixado no açude. O Instituto-Geral de Perícias (IGP) também identificou que o corpo ficou na água por cinco dias. O laudo para psicotrópicos (drogas psicoativas) deu negativo, mas os peritos encontraram alto teor alcóolico, de 23,4 decigramas por litro de sangue, parte em decorrência da liberação de substâncias durante o processo de decomposição do cadáver.
A coletiva de imprensa estava marcada para as 10h30, no prédio da Secretaria de Segurança Pública (SSP), em Porto Alegre. Estão presentes o secretário de Segurança, Vanius Cesar Santarosa, o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Claudio dos Santos Feoli, a diretora-geral do IGP, Heloísa Helena Kuser, e o chefe da Polícia Civil, delegado Fábio Motta Lopes.
O trio de policiais está preso no presídio militar de Porto Alegre há cerca de duas semanas, quando a Brigada Militar solicitou a prisão preventiva dos agentes após a localização do corpo do rapaz. A Polícia Civil também investiga a morte.
Em depoimentos prestados nesse sábado (27) à PC e no domingo (28) à Corregedoria da BM, os três policiais negaram todas as acusações de agressão e assassinato do jovem. Eles respondem a dois inquéritos. De acordo com a BM, os agentes investigados são um sargento e dois soldados da corporação. Um deles tinha 16 anos de serviço; outro, 15 anos; e outro, seis anos de atuação, mas a BM não especificou quais seriam eles.
O laudo da perícia confirma os fatos apurados pela Polícia Civil que culminaram no pedido de prisão preventiva dos suspeitos por homicídio doloso duplamente qualificado. A Justiça aceitou o pedido na última terça-feira (23). Gabriel era natural de Guaíba e estava no município da Fronteira Oeste para prestar serviço militar obrigatório. As investigações apontam que ele foi abordado pelos três policiais, algemado e levado na viatura. Depois disso, o jovem não foi mais visto com vida. Equipes da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros encontraram o cadáver. Nas proximidades do açude, as equipes de resgate já haviam achado uma jaqueta do rapaz durante as buscas.
A abordagem da Brigada Militar ocorreu após o jovem ter tentado entrar na casa de uma vizinha, no bairro Independência, a convite de duas meninas. A mulher, como não o conhecia, estranhou o comportamento e acionou a polícia. Os três PMs admitiram ter levado Gabriel até a localidade. Alegaram também que ele se dizia perdido e teria solicitado para ir ao local onde procuraria a casa de familiares.
Um vídeo mostra a ação dos agentes. Testemunhas disseram à polícia que o jovem teria sido agredido, algemado e colocado na viatura. Os brigadianos afirmam que ele estaria embriagado e teria resistido à abordagem. Após o desaparecimento, a família de Gabriel registrou boletim de ocorrência e as buscas iniciaram na segunda-feira (15), com o apoio de mergulhadores, cães farejadores e até mesmo de um helicóptero da BM. A viatura usada na ação foi apreendida e passou por perícia, assim como os celulares dos agentes. O GPS do veículo confirmou uma parada de um minuto e 50 segundos no local.
*Atualizada às 11h52 para acréscimo de informações
Fonte:Blog do Juares