Apagão de dados e o risco climático
Até agora, uma das agências mais afetadas é a NOAA. A agência é uma referência em observação e pesquisa sobre o clima no mundo.
Entre suas atribuições estão:
- Previsão do tempo, com alerta sobre furacões, tornados, inundações e tsunamis;
- Gerenciamento da pesca no país;
- Administração de santuários marinhos;
- Informações para a navegação;
- Resposta a desastres;
- Monitoramento dos oceanos.
A agência tem cerca de 10 mil funcionários nestas funções, em várias frentes. Segundo o New York Times, a NOAA não confirmou o número de demissões, mas fontes ligadas à agência alertam sobre quase mil desligamentos no início de março.
Entre os demitidos, estão: especialistas em clima, oceanos, biodiversidade e outras pesquisas e campos de monitoramento planetário.
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Bombeiro carrega mangueiras diante de incêndio em Palisades, em Los Angeles, nos EUA, em 11 de janeiro de 2025. — Foto: Jae C. Hong/ AP
Os cortes anunciados até agora afetam cerca de 20 funcionários, incluindo Katherine Calvin, a cientista-chefe e especialista em ciência climática. Tudo foi feito por e-mail.
Ao jornal The Guardian, trabalhadores demitidos comentaram que os gabinetes tinham importância estratégica e que isso pode abrir espaço para que Elon Musk tenha mais influência sobre a agência, o que seria um conflito. Musk está no governo, mas continua sendo CEO da SpaceX, a gigante do setor de foguetes e satélites.
Segundo o Guardian, os funcionários disseram que permanecerão em seus cargos até o dia 10 de abril. O pouco tempo entre o anúncio de demissão e a saída é fora do padrão, já que as demissões são seguidas de 60 dias para a saída. Isso porque os cargos são estratégicos e de pesquisa, que precisam de uma transição. No entanto, eles informaram que o tempo foi reduzido devido à “necessidade urgente” de cumprir a ordem executiva assinada por Trump.
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O chefe da EPA, Lee Zeldin, fala em Ohio, em 3 de fevereiro de 2025. — Foto: Rebecca Droke/Pool via REUTERS
Cortes na pesquisa sobre meio ambiente
A Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos, uma das principais organizações de pesquisa ambiental e de saúde humana do mundo, é o próximo alvo de cortes.
O órgão faz pesquisas sobre qualidade da água, solo, mudanças climáticas, gestão de resíduos e ajuda na regulamentação da legislação ambiental no país.
Nesta semana, a agência entregou seu plano de eficiência ao governo, seguindo a ordem executiva de Trump e Musk. A medida prevê redução de 65% do orçamento, segundo o New York Times.
Para essa redução, a agência prevê a dissolução do seu maior departamento, o Escritório de Pesquisa e Desenvolvimento, e com isso a demissão de mais de mil pesquisadores. O corte faria com que a capacidade de pesquisa e regulamentação ficasse às escuras.
A medida é questionada por representantes democratas, contrários a Trump, e pesquisadores, mas está alinhada aos planos do novo chefe da EPA, nomeado por Trump: Lee Zeldin.
Na última semana, Zeldin revogou 31 regulamentações ambientais, incluindo regras cruciais sobre mudanças climáticas, poluição de usinas a carvão e veículos elétricos.
Em sua ação, ele ainda questiona e diz que quer reescrever a descoberta científica da agência, feita em 2009, que aponta que os gases de efeito estufa que aquecem o planeta colocam em risco a saúde e o bem-estar públicos – o que é um consenso global.



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