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Robôs fizeram 62% das ligações de curta duração no Brasil durante o último mês

As ligações automáticas de curta duração, conhecidas como robocalls, seguem em alta no Brasil. Apenas em abril de 2025, 61,9% das chamadas telefônicas realizadas no país foram desse tipo, de acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Ao todo, foram feitas 16,5 bilhões de ligações, sendo 10,22 bilhões classificadas como robocalls — ligações curtas, que duram em média seis segundos, usadas principalmente para verificar se o número de destino está ativo. Esse tipo de chamada não é exatamente novo. Contudo, o aumento proporcional no volume de robocalls acende um sinal de alerta. Em abril de 2024, por exemplo, elas representavam 51% do total de ligações. Ou seja, em um ano, houve crescimento de mais de 10 pontos percentuais, mesmo com uma queda geral no número de chamadas feitas no país.

Essa prática voltou a ser pauta nacional após uma reportagem exibida pelo Fantástico, que mostrou como empresas utilizam robôs para automatizar ligações em massa. A intenção não é necessariamente falar com alguém, mas sim confirmar que a linha existe e está ativa. Isso é feito com ligações extremamente rápidas, que raramente passam dos seis segundos. Segundo a própria Anatel, as chamadas de curta duração têm como principal objetivo atingir o maior número possível de usuários em um curto período de tempo. Essa estratégia permite que empresas verifiquem milhões de números em poucos dias — o que facilita o envio posterior de mensagens de voz, SMS ou abordagens comerciais. Além disso, os custos operacionais para esse tipo de chamada são baixos, o que incentiva a prática, mesmo quando há regras mais rígidas em vigor. Como evitar chamadas de robôs? A Anatel afirma que tem atuado de forma firme para coibir o uso abusivo das robocalls. Entre as principais ações estão: O site “Não Me Perturbe”, que permite que qualquer cidadão cadastre seu número para não receber chamadas de empresas de telemarketing cadastradas; A exigência do prefixo 0303 para identificar chamadas com finalidade de venda; A regulação do volume de chamadas por empresa, com monitoramento ativo das operadoras. De acordo com a agência, essas medidas já causaram impacto. Entre junho de 2022 e fevereiro de 2025, mais de 196 bilhões de chamadas deixaram de ser feitas. Ainda conforme os dados mais recentes: 1.083 empresas foram bloqueadas temporariamente de realizar ligações; 24 processos administrativos foram abertos para apurar abusos; R$ 39,3 milhões em multas foram aplicados às empresas que descumpriram as normas. Essa prática configura um crime? A realização de ligações automatizadas em si não configura uma prática ilegal, segundo a Anatel. Isso significa que empresas podem utilizar sistemas automáticos para entrar em contato com clientes ou potenciais consumidores, desde que sigam as regras estabelecidas pela agência. No entanto, há uma linha clara entre o que é permitido e o que é proibido — e muitas empresas acabam ultrapassando esse limite. Um exemplo disso é o chamado spoofing, uma prática considerada ilegal. O spoofing ocorre quando uma empresa altera o número de origem da chamada, como o DDD, para simular que a ligação está sendo feita de uma localidade diferente daquela em que realmente se encontra. Isso pode fazer com que um número originado em São Paulo, por exemplo, apareça como se fosse de Porto Alegre, o que induz o destinatário a atender, acreditando se tratar de uma chamada local. Em outros casos, empresas criam números aleatórios e inexistentes, dificultando que os usuários possam bloquear a chamada de forma definitiva. Essa prática viola as diretrizes da Anatel e pode resultar em sanções, caso seja denunciada. Além disso, a agência também monitora a quantidade de ligações feitas diariamente por cada empresa. Se uma companhia realiza mais de 100 mil chamadas curtas por dia — aquelas que duram até seis segundos —, pode sofrer punições, como o bloqueio temporário por até 15 dias. A medida tem como objetivo frear os abusos e garantir mais transparência e segurança para os consumidores. Confira a reportagem do Fantástico sobre o tema e entenda mais: Como denunciar chamadas abusivas? Para denunciar ligações abusivas, práticas de spoofing ou qualquer outro tipo de irregularidade no uso de chamadas telefônicas, os consumidores podem recorrer aos canais oficiais da Anatel.

A agência disponibiliza diferentes meios para facilitar o registro de reclamações, mesmo para quem não tem familiaridade com processos mais formais. Uma das formas mais práticas é o aplicativo Anatel Consumidor, disponível gratuitamente para Android e iOS. Por lá, é possível relatar ocorrências, acompanhar o andamento das denúncias e obter orientações. Outra alternativa é acessar diretamente o site da Anatel, onde o usuário pode preencher um formulário eletrônico com os dados da ligação recebida e a natureza da denúncia. Para quem prefere atendimento por voz, também está disponível o call center no número 1331, com funcionamento em dias úteis, ou o canal via WhatsApp, no número 0800-610-1331, que oferece atendimento mais ágil e direto. Esses canais são fundamentais para que a agência continue fiscalizando as operadoras e coibindo abusos. Quanto mais pessoas denunciarem, maior será a efetividade das ações contra práticas ilegais.

Fonte:Elias Bielaski,clic camaquã

 

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