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IPM conclui que policiais agiram em legítima defesa na morte de agricultor em Santa Maria

O Inquérito Policial Militar (IPM) que investigou a morte do agricultor Valdemar Both, de 53 anos, durante uma abordagem da Brigada Militar (BM) em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, concluiu que não houve negligência ou erro por parte dos policiais. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (1º), por meio de nota da corporação.

Segundo o documento, a apuração minuciosa dos fatos apontou que os dois brigadianos envolvidos agiram em legítima defesa. A investigação considerou os depoimentos, laudos e imagens obtidas no local do ocorrido, que foi registrado por câmeras de segurança.

O caso aconteceu há cerca de um mês, no distrito de Palma, zona rural do município. Na ocasião, uma guarnição da BM realizava patrulhamento quando abordou uma propriedade onde Valdemar processava e comercializava produtos de origem florestal. Conforme os policiais, o agricultor não possuía licença ambiental para a atividade e utilizava motosserras supostamente sem autorização de porte e uso.

A abordagem teria se intensificado após a comunicação de que os equipamentos seriam apreendidos. De acordo com a Brigada Militar, o agricultor estava com um machado e teria reagido à ação policial, oferecendo risco à integridade física dos agentes. “Diante do risco iminente à integridade física da equipe, houve a necessidade do uso da arma de fogo para conter a ação e preservar a vida dos policiais militares”, declarou a BM.

Imagens mostram sequência de eventos

Câmeras de monitoramento da propriedade registraram toda a movimentação. A viatura da Brigada Militar chegou ao local às 16h34. Quase uma hora depois, às 17h24, ocorreram os disparos. Dezessete minutos mais tarde, os policiais deixaram a propriedade e retornaram cerca de seis minutos depois com duas outras pessoas. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) chegou às 18h58, e a perícia iniciou seus trabalhos após as 19h. O corpo do agricultor foi removido por volta das 21h.

Família contesta versão da polícia

A versão apresentada pela Brigada Militar é contestada pela família da vítima. De acordo com o advogado que representa os familiares de Valdemar, ele comprava eucalipto para revender como lenha, prática considerada legal. Além disso, a defesa alega que os equipamentos usados por ele, como as motosserras, estavam regularizados.

A esposa de Valdemar, Cléria Both, de 49 anos, relata ter recebido um áudio de uma amiga perguntando sobre o que estava acontecendo na propriedade. Ela estava em outro bairro trabalhando como massoterapeuta e foi para casa imediatamente. “Quando cheguei [em casa], meu filho abriu a porta e disse: ‘os policiais fuzilaram o pai’. Estou até agora sem entender, estou sem chão”, desabafou Cléria.

O filho da vítima, Gabriel Both, também criticou a ação dos policiais e ressaltou a postura do pai como alguém conhecido na comunidade pelo espírito solidário. “No período das enchentes, ele não mediu esforços para ajudar. Sempre disposto a ajudar os outros”, lembrou.

A vizinha Cleusa Pereira também se manifestou. “Era uma pessoa extremamente boa. Ele ajudava todos aqui da comunidade.”

Polícia Civil segue com inquérito

Além do IPM, a Polícia Civil também conduz uma investigação paralela sobre o caso. O delegado Thiago Carrijo, responsável pelo inquérito, informou que os trabalhos estão na fase final e que a conclusão deve sair nos próximos dias.

“NOTA À IMPRENSA

A Corregedoria-Geral da Brigada Militar informa que foi concluído o Inquérito Policial Militar (IPM), instaurado para apurar as circunstâncias da ocorrência registrada no município de Santa Maria, em 1º de julho, durante ação da Patrulha Ambiental da Brigada Militar.

A Brigada Militar informa que o inquérito foi resultado de uma apuração minuciosa, e após análise dos elementos de prova, concluiu-se, no âmbito das investigações, que os policiais militares atuaram em legítima defesa.

Com a finalização do procedimento, os autos foram encaminhados à Justiça, nos termos da legislação vigente.”

Fonte: Foto: Divulgação, Kathrein Silva, Redação/Clic Camaquã.

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