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Abertura da Colheita do Arroz 2026 aposta em “conectar campo e mercado” em meio à crise do setor

A 36ª Abertura Oficial da Colheita do arroz e Grãos em Terras Baixas acontece de 24 a 26 de fevereiro de 2026, na Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão (RS), com o tema “Cenário Atual e Perspectivas – Conectando o Campo ao Mercado”. A proposta é colocar, no mesmo palco, desafios imediatos da orizicultura e estratégias para ampliar competitividade e destinos comerciais do arroz, da soja, do milho e do trigo em áreas de terras baixas.

A organização aposta em uma programação híbrida — presencial e online — com debates sobre consumo, exportações, gestão, finanças, inovação e integração lavoura-pecuária (ILP), além do desafio de produzir com preservação ambiental. A cerimônia oficial do ato de abertura está marcada para 26 de fevereiro, às 16h, e as homenagens “Pá do Arroz” fecham o primeiro dia, a partir das 18h30.

Integração lavoura-pecuária ganha protagonismo

O crescimento da pecuária dentro das propriedades arrozeiras ganha status de tema estruturante nesta edição. Para o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, a ILP deixou de ser tendência e passou a compor a estratégia de sustentabilidade no campo. “A pecuária faz parte cada vez mais das propriedades produtoras de arroz, trazendo sustentabilidade não só financeira, mas também sustentabilidade agronômica para o solo”, afirmou.

Na prática, isso se reflete em mais painéis e espaço dedicado ao assunto. Nunes destacou “aumento significativo na participação da pecuária”, com ampliação do Universo Pecuária e presença do tema nas arenas de debate e também na arena digital do evento.

A Embrapa Clima Temperado reforça a vitrine de soluções para sistemas integrados. O analista de transferência de tecnologia Sérgio Bender explicou que a unidade apresentará uma vitrine de forrageiras com mais de 20 alternativas para produção de volumosos. “O objetivo é apresentar sistemas de produção mais eficientes que auxiliem o produtor na agregação de renda e na melhoria das condições de produção”, disse.

Rastreabilidade bovina entra na agenda do evento

Entre os temas mais sensíveis está a rastreabilidade bovina, que será tratada em painel específico na Arena da Inovação. O secretário adjunto da Agricultura do RS, Márcio Madalena, defendeu o debate em um evento tradicionalmente voltado aos grãos. “A rastreabilidade é um tema transversal e precisa ser debatida também em fóruns que reúnem públicos diferentes”, observou.

Madalena afirmou que o Estado vem avançando na implementação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos, Búfalos e Rastreabilidade (PNIB), com ações previstas para o biênio 2025–2026, e ressaltou a importância de interiorizar a discussão junto aos produtores.

Custos da Conab e crise do arroz: setor cobra revisão

Do lado institucional e econômico, a crise da cadeia orizícola entra na pauta de forma explícita. Uma reunião aberta da Câmara Setorial do Arroz está prevista no terceiro dia, com foco em medidas, políticas públicas e encaminhamentos para o cenário atual do setor.

O presidente da Câmara, Henrique Dornelles, apontou o nó central: preço mínimo e custos oficiais. “Os custos de produção divulgados pela Conab têm apresentado falhas metodológicas gerando números imprecisos, que levam o governo a uma leitura equivocada”, declarou.

Além do curto prazo, a Câmara pretende discutir um estudo de longo prazo para a orizicultura, com horizonte de até 30 anos, incluindo escolha de cultivares, posicionamento do Brasil no mercado, tendências de consumo e usos industriais do arroz. Dornelles defendeu o papel da Embrapa nesse processo e reforçou o peso do Rio Grande do Sul na produção nacional.

Evento cresce em público, expositores e agricultura familiar

A dimensão do encontro também aumenta. Em coletiva, o chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Leonardo Ferreira Dutra, afirmou que a expectativa é superar 20 mil participantes, com 230 expositores e expansão da Feira da Agricultura Familiar para 20 expositores. “Já estamos na oitava edição consecutiva aqui”, disse Dutra, ao mencionar tratativas para manter o evento em Capão do Leão pelos próximos anos.

A agricultura familiar chega maior e com expectativa de vendas em alta. O extensionista Edenilson Batista de Oliveira (Emater) afirmou que o espaço vem atraindo mais produtores e relatou crescimento de comercialização em edições anteriores, além de avanços em estrutura e regularização de agroindústrias para participação, com exigência de cadastro em programa estadual.

Mercado e exportações no radar

No setor produtivo, a mensagem é de eficiência, mas também de novos destinos para o arroz. O vice-presidente da Farsul, Fernando Rechsteiner, alertou que produtividade sem mercado pode pressionar a área plantada e defendeu diversificação de destinos. “Precisamos encontrar novos destinos para o arroz”, afirmou, citando que o tema do etanol também deve entrar nas discussões.

O presidente da Federarroz ainda citou perspectiva de exportação dentro de um processo ligado à União Europeia, com potencial inicial de 60 mil toneladas. A leitura do setor é que qualidade e sustentabilidade podem abrir portas, mas o avanço depende de etapas e consolidação de mercado.

Com vitrines tecnológicas e discussões de política agrícola no auditório, a Abertura da Colheita chega como termômetro do arroz irrigado no RS: de um lado, pressão de custos e metodologia oficial questionada; de outro, a busca por integração com pecuária, inovação e novos mercados para reduzir a recorrência das crises e dar previsibilidade à cadeia produtiva.

Fonte: Agrolink – Aline Merladete

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