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“Não trabalho com hipótese de perdermos este investimento”, diz Leite durante ato por projeto de R$ 27 bilhões da CMPC

Moradores de Barra do Ribeiro e Associação dos Municípios da Região Costa Doce fazem mobilização em defesa do Projeto Natureza da empresa CMPC

Uma manifestação na Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini, em Porto Alegre, na manhã desta segunda-feira, reunindo centenas de pessoas, entre empresários, deputados, representantes da Associação dos Municípios da Região Costa Doce e demais autoridades, pediu a continuidade do Projeto Natureza, complexo fabril de celulose da empresa CMPC, a ser executado no município de Barra do Ribeiro, na região Metropolitana. Nele, a companhia pretende investir R$ 27 bilhões, porém o projeto é alvo de uma ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF).

O governador Eduardo Leite esteve presente, e disse que o governo do Estado está respeitando a legislação no processo de licenciamento. “Estamos atendendo a todas as exigências legais, inclusive a do componente indígena. O procurador da República, do MPF, tem uma interpretação diferente, de que ele deve atender a um espectro maior dos indígenas no estado. Nós divergimos dessa interpretação, ela está diferente do que a legislação exige”.

Leite disse ainda “confiar na decisão deles (CMPC)” de permanecer no RS. “Não trabalho com a hipótese do Rio Grande do Sul perder esse investimento. Nós trabalhamos muito para trazer esse investimento para cá e vamos continuar trabalhando do jeito certo na coisa certa para que o investimento aconteça”, afirmou o governador.

O prefeito de Barra do Ribeiro, João Francisco Silva Feijó, disse que dali, ele se reuniria com a Casa Civil, e em seguida com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Sergio Peres. “Esta é uma manifestação pacífica e há muitos barrenses aqui. Todos nós estamos aqui para gritar pelo projeto CMPC em Barra do Ribeiro. Vai ser um divisor de águas em nossa cidade, com geração de emprego e de renda”, disse Feijó. É o segundo ato do tipo; o primeiro ocorreu no final de maio na BR 116, em Barra do Ribeiro.

“Vamos ficar avaliando o cenário do que que vai acontecer. Creio que agora o apoio vai ser maior, tanto vindo do governo federal quanto do estadual e estamos abertos a discussões também, porque todos nós também nos preocupamos com o meio ambiente”, acrescentou o prefeito. “Não é só eles, nós estamos preocupados. Mas a empresa é séria e está cuidando muito bem do meio ambiente, não só da Barra do Ribeiro, mas de todas as cidades que têm as empresas deles também”.

Considerado o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul, o projeto tem sido contestado pelo MPF, com o órgão alegando não ter havido a chamada Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) às comunidades indígenas potencialmente atingidas dos Guarani Mbyá, conforme determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), assim como possíveis falhas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) apresentado pela empresa. Além do governo, a empresa afirma que ao menos 52 dos 55 deputados estaduais e grande parte da bancada federal gaúcha são favoráveis.

A companhia chilena, que já aportou cerca de US$ 400 milhões no Projeto Natureza, havia recentemente sinalizado a intenção de remeter o empreendimento ao Paraguai se o imbróglio federal continuar no Brasil até o final do ano, mas segundo o diretor de Celulose da CMPC, Antônio Lacerda, que esteve na mobilização de maio, “a primeira, a segunda e a terceira opções” são Barra do Ribeiro.

Fonte: Foto : Camila Cunha, Felipe Faleiro, Correio do Povo.

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