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O infarto agudo do miocárdio é a maior causa de mortes no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. A estimativa é de que ocorram entre 300 mil e 400 mil casos por ano no país e, a cada cinco a sete episódios, uma pessoa morra. Diante de uma suspeita, o atendimento de urgência nos primeiros minutos pode ser determinante para reduzir o risco de morte.
O principal sinal de alerta, de acordo com o Ministério, é a dor ou o desconforto na região do peito, que pode irradiar para as costas, rosto e braço esquerdo e, mais raramente, para o braço direito. No entanto, a dor torácica não significa necessariamente que uma pessoa esteja sofrendo um infarto.
Diferentes condições podem provocar desconforto na região, e tentar identificar a origem do problema sem avaliação médica pode atrasar o diagnóstico de uma emergência. Segundo diretriz publicada em 2025 pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), entre os pacientes que chegam ao pronto-socorro com dor torácica, apenas cerca de 5% a 20% apresentam síndrome coronariana aguda, grupo de condições que inclui o infarto.
Isso não significa que os demais episódios possam ser ignorados. Ruptura do esôfago e pneumotórax hipertensivo, por exemplo, também são apontados entre os diagnósticos potencialmente fatais que devem ser considerados de acordo com o quadro clínico. Somente após afastar condições graves é que causas de menor risco, como problemas digestivos e ansiedade, podem ser avaliadas.
Os transtornos de ansiedade merecem atenção nesse contexto por afetar cerca de 4,4% da população mundial, conforme aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade também indica que o Brasil é o país com a maior prevalência de casos, com 9,3% da população afetada.
Entre as manifestações associadas a estes transtornos estão aperto ou desconforto no peito, palpitações, falta de ar e tontura, sintomas que também podem surgir em alterações cardiovasculares.
Diante dessa sobreposição de sinais, exames ajudam a esclarecer a origem do problema. O Ministério da Saúde orienta que pacientes com dor torácica ou sinais e sintomas sugestivos de infarto realizem um eletrocardiograma em até dez minutos após o início da triagem. O resultado deve ser avaliado imediatamente pelo médico e considerado na classificação de risco.
A rapidez no atendimento também é ressaltada pela SBC, que aponta que uma avaliação ágil assertiva pode melhorar o prognóstico de pacientes com doenças cardiovasculares.
A Sociedade observa ainda que, devido à frequência da dor torácica nos prontos-socorros, muitos desses atendimentos ocorrem em serviços ou por profissionais que não são especializados em doenças cardiovasculares. Com isso, é fundamental a orientação adequada de todas as unidades e profissionais para o melhor manejo desses casos.
Para quem pode recorrer ao serviço particular em São Paulo, por exemplo, é importante observar se o serviço possui estrutura para avaliação cardiovascular e investigação das diferentes causas do sintoma. O São Luiz Itaim, na zona sul, por exemplo, é um dos hospitais que conta com serviço especializado em cardiologia preventiva e no tratamento de doenças do coração, além de realizar exames cardiológicos.
Características da dor podem ajudar na investigação de infarto e ansiedade
Embora a dor torácica possa aparecer tanto em crises de ansiedade quanto em quadros cardiológicos, algumas características do desconforto ajudam a levantar suspeitas sobre sua origem. Em entrevista à imprensa, o cardiologista especialista em estimulação cardíaca artificial, Roberto Yano, explica que cabe ao médico avaliar o paciente e diferenciar os quadros, situação frequente nos atendimentos cardiológicos.
Segundo o médico, a dor relacionada ao infarto costuma se manifestar como aperto ou queimação, geralmente do lado esquerdo, e pode durar mais de 20 minutos. O desconforto pode irradiar para pescoço, queixo, braço ou região do estômago e vir acompanhado de náusea, suor frio, falta de ar, palidez e sensação de desmaio. Geralmente, surge após uma situação de estresse ou uma grande refeição.
Nas crises de ansiedade, por outro lado, a dor tende a ser mais localizada e pode surgir em forma de pontadas e no meio do peito, sem apresentar irradiação. Yano acrescenta que a pessoa também chega ao atendimento mais agitada, nervosa ou em estado de pânico, enquanto o paciente de infarto costuma tentar poupar energia.
O cardiologista ressalta, porém, que essas são características mais frequentes, mas que não devem ser vistas como regra. Por isso, a diferenciação deve ser feita por um médico a partir da avaliação dos sintomas, do histórico do paciente, do exame físico e, quando necessário, de exames complementares.
Ansiedade também pode desencadear ou agravar problemas cardíacos
A relação entre ansiedade e coração não se limita à semelhança dos sintomas. A Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (Socergs) alerta que a ansiedade pode contribuir para o agravamento e até para o desencadeamento de problemas cardiovasculares, sobretudo entre pessoas que já apresentam histórico de doenças cardíacas.
Segundo o vice-presidente da Socergs, André Luís Câmara Galvão, a pressão emocional constante pode afetar o funcionamento do coração, favorecer episódios de arritmia e aumentar o risco de complicações mais graves.
A entidade também destaca que estudos científicos recentes demonstram que o estresse emocional pode provocar respostas fisiológicas no organismo, como maior liberação de hormônios associada à elevação da pressão arterial e da frequência cardíaca. Por isso, a relação entre ansiedade e problemas cardiovasculares também deve ser considerada do ponto de vista preventivo.
Nos casos em que ansiedade e doenças cardiovasculares aparecem em conjunto, o acompanhamento pode envolver diferentes especialidades, como cardiologia, psiquiatria e psicologia. O tratamento do estresse e da ansiedade pode incluir intervenções psicoterapêuticas, como a terapia cognitivo-comportamental, além de tratamentos farmacológicos quando houver indicação.