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No dia seguinte à vitória no primeiro turno da disputa ao Piratini, o governador eleito Luciano Zucco (PL) concedeu 18 entrevistas à veículos de comunicação. A previsão é a de nos próximos dias seja realizada uma primeira reunião com integrantes do núcleo central da campanha de Zucco para iniciar as tratativas sobre as funções de cada um no processo de transição. Zucco, que está no exercício do mandato de deputado federal, viaja nesta terça-feira para Brasília.
Além de Cléber Benvegnú, responsável pelo marketing e com papel estratégico na campanha, terão destaque ainda Leonardo Pascoal, que foi coordenador do plano de governo, e Cezar Schirmer, que desde o início do ano se tornou um dos principais conselheiros de Zucco. Em função da proximidade com Zucco, em junho, o MDB, que tinha Gabriel Souza como candidato, divulgou a informação de que havia suspendido temporariamente a filiação de Schirmer, que rebateu, sustentando que ele, pessoalmente, havia feito a solicitação antes da manifestação partidária.
Outro nome que figura no cenário considerando a formação do futuro governo é o da ex-senadora Ana Amélia Lemos. Após um período filiada ao PSD, Ana Amélia optou por retornar ao PP pelo qual conquistou seu mandato no Senado em 2010, em abril deste ano, para apoiar o projeto de Zucco na disputa ao Piratini. Coordenador do núcleo político da campanha, Everton Braz, que é prsidente estadual do Podemos, também integra a lista de nomes fortes para a composição do governo Zucco.
Menos conhecido publicamente, para além dos bastidores políticos, Leandro Sonne também deve ocupar papel estratégico. Sonne foi subchefe de Benvegnú na Casa Civil. Atualmente é coordenador da bancada do Republicanos na Assembleia e foi coordenador financeiro da campanha. É muito próximo a Zucco.
A única pausa de Zucco nesta segunda-feira ocorreu no horário de almoço, para comemorar o aniversário de 49 anos de Cléber Benvegnú, responsável pelo marketing e com papel estratégico na campanha. Estavam presentes na confraternização, além de Zucco e Cléber, a primeira-dama Joyce, Tânia Moreira, que comandou os programas de rádio e TV, e integrantes da equipe de comunicação da campanha.
Nas primeiras entrevistas como governador eleito, Zucco afirmou que pretende reduzir o número de secretarias, atualmente em 30, para “cerca de 15 ou 20”. Ele destacou ainda que pretende dar um perfil técnico para o primeiro escalão de sua administração. “Queremos governar com os melhores e vamos enxugar a máquina, cortando secretarias. Temos 30, mas queremos de 15 a 20. O gaúcho gosta de ver resultado”, disse, durante entrevista à Rádio Guaíba. “Temos alguns nomes que me ajudaram na campanha, mas agora tomei para mim essa missão de nomear os secretários. Vamos governar com os melhores e o que vai ter de acontecer é a entrega de resultado”, afirmou.
PL do orçamento pode ser alterado
Além das negociações envolvendo o processo de transição, entre Luciano Zucco, Eduardo Leite (PSD) e suas equipes, outro tema deve ser tratado nas conversas. A possibilidade de Zucco solicitar alterações no projeto do orçamento-geral do Estado para 2027, que já está em tramitação na Assembleia. A proposta, que precisa ser votada em novembro, é a última elaborada por Leite e será executada na gestão de Zucco. São muitas e incisivas as críticas de deputados de partidos aliados ao governador eleito ao texto.
O projeto estima uma receita de R$95,13 bilhões para o próximo ano, em uma alta de 6,97% em relação ao orçamento de 2026. O orçamento projeta despesas totais de R$99,19 bilhões, o que resulta em déficit orçamentário previsto de R$4,06 bilhões e déficit primário de R$4,8 bilhões. As estimativas apresentadas já consideram a extinção da taxa anual de licenciamento de veículos referente à extinção da expedição do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV), aprovada pela Assembleia por unanimidade, após a derrubada do veto do governador, e cujo impacto estimado é de R$777 milhões na receita para 2027. A matéria tem autoria de Rodrigo Lorenzoni, do PP, partido da vice-governadora eleita Silvana Covatti.
Melo pode perder dois secretários estratégicos
O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), considerando as negociações em torno do governo de Luciano Zucco (PL), deve perder dois nomes estratégicos do primeiro escalão: os secretários da Educação, Leonardo Pascoal, e de Planejamento e Gestão, Cezar Schirmer.
Na última semana, Schimer participou com Melo, em São Paulo, no Instituto de Engenharia, na Vila Mariana, de roadshow para apresentar o portfólio de obras e projetos do programa POA Futura a investidores e empresas de infraestrutura urbana. O programa, coordenado pela pasta de Schirmer, prevê cerca de R$ 7 bilhões em investimentos, com recursos próprios do município, dos governos do Estado, federal e de bancos nacionais e internacionais.
Ex-prefeito de Esteio, Pascoal, que deixou o PP para ingressar no PL, foi o primeiro secretário escolhido a ser anunciado por Melo após a reeleição para novo mandato no comando do executivo municipal. Naturalmente estratégica, a área da educação se tornou um dos calcanhares de Aquiles da gestão do emedebista no primeiro mandato, em função de investigações de irregularidades, com supostos desvios milionários, na Operação Capa Dura.
Fonte: Foto: Maicon Hinrichsen / divulgação / cp, Taline Oppitz, Correio do Povo.