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O que começava com a oferta de empréstimos na Serra Gaúcha terminava em ameaças, cobranças sucessivas e exigências financeiras que continuavam mesmo após pagamentos realizados pelas vítimas. Para desarticular o esquema, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta sexta-feira (9), a Operação Multiplicação em Bento Gonçalves e Carlos Barbosa.
A ação, que resultou em três prisões preventivas e em mais duas em flagrante por posse irregular de arma de fogo, tem como foco oito investigados que usavam o vínculo que têm com o crime organizado e com uma facção para aumentar o poder de intimidação perante devedores. Os agiotas responderão por extorsão, organização criminosa, usura e lavagem de dinheiro. A ação tem como foco um grupo criminoso investigado por movimentar cerca de R$ 32,3 milhões. A operação é um desdobramento da Operação Contas Abertas, realizada pelo MPRS para investigar a estrutura financeira da mesma facção, identificando mecanismos utilizados para movimentação e ocultação de recursos ilícitos.
Com esta nova etapa, o objetivo é avançar no sufocamento das atividades econômicas e dos negócios mantidos pela organização criminosa. A investigação e operação são coordenadas pelo promotor de Justiça Manoel Figueiredo Antunes, do 5º Núcleo Regional do GAECO – Serra. Também participaram os promotores de Justiça Diego Pessi e João Fábio Munhoz Manzano. A ação foi integrada com o 4° Batalhão de Choque da Brigada Militar (BM).
Durante o cumprimento das medidas judiciais, foram apreendidos documentos, aparelhos eletrônicos, celulares e outros materiais que auxiliarão no aprofundamento da investigação, especialmente na identificação de novas vítimas. Os delitos ocorreram entre janeiro de 2022 e novembro do ano passado. As buscas foram realizadas em 13 locais, com apreensão de armas e munição, além da indisponibilização de três imóveis e sete veículos vinculados aos investigados.
Segundo Manoel Figueiredo Antunes, os agiotas concediam empréstimos com cobrança de juros elevados e, posteriormente, exigiam novos pagamentos das vítimas por meio de intimidações e ameaças. Mesmo após a quitação de valores inicialmente acordados, as cobranças continuavam, aumentando o endividamento e o prejuízo financeiro das pessoas atingidas.
As apurações apontam que o grupo utilizava contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados para receber e movimentar os valores obtidos. Empresas e terceiros também eram usados para circulação dos recursos, dificultando o rastreamento do dinheiro e a identificação de sua origem.
Em um dos casos apurados, a vítima contraiu um empréstimo de R$ 50 mil, realizou diversos pagamentos e chegou a entregar uma caminhonete como garantia. Ainda assim, as cobranças prosseguiram. Mensagens, áudios, comprovantes bancários e outros documentos reunidos pelo MPRS indicam a continuidade das exigências financeiras mesmo após os pagamentos efetuados.
Em outro episódio investigado, uma das vítimas teve a casa incendiada como forma de ameaça durante a cobrança de um empréstimo. Conforme apurado, a ação também teve o objetivo de intimidar outros devedores e reforçar o poder de coerção exercido pelo grupo.
A investigação também identificou movimentações financeiras incompatíveis com a renda formal de parte dos investigados, além de transferências entre contas vinculadas ao grupo, empresas e terceiros. Conforme a análise do GAECO, as transações financeiras examinadas alcançam aproximadamente R$ 32,3 milhões.
“Além da coleta de novas provas, a Operação Multiplicação buscou interromper a atuação do grupo investigado, aprofundar a identificação dos envolvidos e mapear a extensão do patrimônio relacionado aos fatos apurados, bem como chegar a um número mais preciso de vítimas. O trabalho também pretende esclarecer a origem dos recursos movimentados e a possível utilização de empresas, contas bancárias, veículos e imóveis para ocultação patrimonial”, disse o promotor.




