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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, na semana última terça-feira (1), o Instituto Butantan a iniciar os testes em humanos da sua vacina contra a gripe aviária. A decisão marca um avanço importante na prevenção de possíveis pandemias causadas pelo vírus H5N8, que já apresentou mutações capazes de infectar mamíferos.
O Butantan vai conduzir as fases 1 e 2 dos testes clínicos com 700 voluntários adultos e idosos. Os ensaios ocorrerão em cinco centros de pesquisa localizados em Recife (PE), São Paulo (SP), São José do Rio Preto (SP), Ribeirão Preto (SP) e Belo Horizonte (MG).
Por isso, a pesquisa será realizada de forma escalonada. Na primeira etapa, 70 adultos entre 18 e 59 anos serão vacinados com duas formulações diferentes do imunizante. Caso os dados de segurança sejam positivos, mais 280 pessoas serão incluídas.
Logo depois, o estudo passará à segunda fase, que inclui 70 idosos inicialmente. Se os resultados se mantiverem favoráveis, outros 350 voluntários com mais de 60 anos participarão do estudo. A expectativa é concluir o acompanhamento dos participantes até 2026.
A vacina será aplicada em duas doses intramusculares, com intervalo de 21 dias entre as aplicações. O ensaio clínico é do tipo duplo-cego, ou seja, nem os voluntários nem os pesquisadores saberão quem está recebendo a vacina e quem está recebendo placebo. Esse padrão de estudo é considerado o mais confiável para avaliar segurança e eficácia.
Além da segurança, o estudo vai analisar a resposta imune gerada pelo organismo humano, o que determinará a continuidade e o formato das próximas fases da pesquisa.
Embora os casos de gripe aviária em humanos ainda sejam raros, o vírus H5N8 tem demonstrado alta taxa de letalidade, próxima a 50%, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os contágios ocorrem, geralmente, após o contato com aves infectadas ou seus dejetos.
No entanto, mutações recentes do vírus têm alarmado a comunidade científica. Em 2023, um estudo publicado na revista Science indicou que uma única mutação pode tornar o vírus transmissível entre humanos, o que aumentaria significativamente o risco de uma pandemia global. Mas, até o momento, não há comprovação da transmissão do vírus de humano para humano.
O vírus de influenza A (H5N1) está sendo transmitido de aves para aves, de aves para mamíferos, de mamíferos para mamíferos, de aves para humanos e mamíferos para humanos. Só não vimos ainda a transmissão de pessoa para pessoa, mas existe um potencial do vírus adquirir essa capacidade, o que é muito perigoso porque aumenta o risco de uma pandemia, alertou Paulo Lee Ho, gerente de Desenvolvimento e Inovação de Produtos do Butantan.
Por isso, embora não existam casos em humanos registrados no Brasil, o objetivo do Butantan é preparar o país para o enfrentamento de potenciais pandemias.
Caso a vacina seja aprovada nas fases finais, o Butantan afirma que poderá produzir até 30 milhões de doses. Esse número seria suficiente para conter surtos emergenciais, especialmente entre trabalhadores do setor agropecuário e grupos vulneráveis.
Segundo o diretor do instituto, Esper Kallás, o objetivo é que o Brasil esteja pronto para agir rapidamente, caso o vírus H5N8 passe a circular entre humanos.
Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de gripe aviária em uma granja comercial. O foco foi detectado em Montenegro, no Vale do Caí, o que resultou em restrições internacionais à exportação de carne de frango.
Apesar disso, o Brasil voltou a ser reconhecido como país livre da doença em junho, segundo a Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA). O episódio, no entanto, serviu de alerta para a necessidade de vigilância constante e preparo estratégico — inclusive com vacinas.
Fonte:Clic Camaquã