Preencha os campos abaixo para submeter seu pedido de música:

Barbie é um filme complexo sobre o lugar das mulheres no mundo

Quando Margot Robbie, protagonista e produtora de Barbie, diz que duvidava que o estúdio permitiria que o filme existisse, ela desperta, afinal, uma curiosidade sobre do que trata essa produção. Por que tamanha resistência a algo tão aparentemente inocente quanto a história de uma boneca? A resposta é que não é qualquer história de qualquer boneca.

Barbie é um filme complexo sobre o lugar das mulheres no mundo. Mas, para além disso, é também sobre os lugares que todos os humanos ocupam no planeta. Seja um lugar real ou a Barbieland.

Na trama, depois de ser expulsa da Barbieland por ter crises de identidade e por ser uma boneca de aparência menos do que perfeita, Barbie parte para o mundo humano em busca da verdadeira felicidade. Ao lado de Ken, interpretado por Ryan Gosling, a personagem vai parar no mundo real para descobrir como as pessoas normais vivem, ficando exposta aos perigos e irritando o CEO da Mattel, interpretado por Will Ferrell.

A questão seguinte que surge é: como um filme complexo conquistaria o tamanho do público capaz de lotar as salas de cinema? A expectativa do público é imensa e as redes sociais estão dominadas pelo sentimento de desejo de assistir à nova produção da diretora Greta Gerwig.

Desta vez a resposta é a inteligência de abordar temas espinhosos como feminismo, política, relações de poder e relacionamentos pela via do humor. A sagacidade do texto e até o deboche com estruturas sociais predominantes tornam tudo simples, divertido e agradável de ver.

Isso só foi possível com a clara liberdade oferecida aos criadores dessa história. Margot contou em entrevista coletiva que mal fez exigências a Greta, que dividiu o roteiro com o parceiro Noah Baumbach. “O escorregador foi um de dois pedidos que fiz no início do processo. ‘Só quero um escorregador que vá do quarto até a piscina e uma Barbie Sereia em algum lugar’”, afirmou a atriz.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a atriz ressaltou que Barbie evidencia o empoderamento feminino, mas que não queria colocar a produção em “nenhuma caixa”. Também exaltou a evolução representativa da boneca em seus 64 anos de existência.

– Margot, definir Barbie como um filme feminista é correto? Isso poderia estigmatizar o filme? “Acredito que depende da sua definição de feminismo. Para mim, é ‘homens e mulheres sendo tratados igualmente’. Eu acredito que o filme é inerentemente feminista, porque há muito empoderamento feminino transbordando dele. O fato de termos uma diretora no comando de um enorme blockbuster de verão é expressivo em nossa indústria, mas ironicamente, no começo do filme, as coisas não são totalmente igualitárias entre as Barbies e os Kens, em Barbieland. As Barbies têm todas as posições de poder e os Kens, não. Ainda que a gente os ame. E eles entram nessa grande jornada e acabam no mundo real. E começam a sentir que talvez a dinâmica do poder tenha mudado para o outro lado.”

– Como assim? “Não vou revelar o resto da história, mas acho que toda a política de gênero é a primeira camada de comédia e discussão no filme. Depois vai além disso para, não tanto como é ser uma boneca, homem, mulher, mas para como é ser humano. E esse é o lugar onde o filme realmente vai parar. Então, é um filme feminista? Eu acho que sim. Para mim, com certeza. Como poderia não ser? Mas acho que também são muitas coisas e não gostaria de colocá-lo em nenhuma caixa, trocadilho intencional. Também é um filme muito engraçado, mas eu não o chamaria apenas de comédia, porque isso quase tira o crédito do quão emocionante também é, o quão inteligente também é, o quão grande é o aspecto do design. Então eu acho que esse filme é um monte de coisas e é definitivamente um filme para todos.

– A boneca Barbie está tão perto dos 65 anos. O que você acha que ela representa para o século 21? “É engraçado. Acho que a Barbie evoluiu tanto! E se a Mattel não tivesse feito a evolução que fez em 2016 para realmente diversificar e ser tão inclusiva com a linha Barbie, acho que não poderíamos ter feito este filme. Como a linha Barbie existe hoje, todo mundo é Barbie e todo mundo é Ken. Foi uma mudança enorme, importante e sísmica para a marca. E também abriu o caminho para termos em nosso filme uma Barbieland que reflete essa diversidade e inclusão. Então eu acho que ela sempre foi um tópico de conversa em muitas discussões culturais relevantes e entendo que é porque ela esteve à frente do tempo ou atrasada. Mas ela sempre evoluiu e acho que foi isso que sempre a manteve relevante.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Foto: Divulgação, Redação O Sul

Deixe seu comentário: