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Indústria de implementos supera a de caminhões em empregos e faz do RS potência nacional - Rádio São José do Patrocínio

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Indústria de implementos supera a de caminhões em empregos e faz do RS potência nacional

 

Setor faturou R$ 19,1 bilhões em 2025, emprega mais de 51 mil pessoas e concentra no Rio Grande do Sul mais de um terço da produção brasileira

Enquanto as montadoras de caminhões costumam concentrar os holofotes da logística, uma indústria menos visível responde por parte fundamental da movimentação da economia brasileira. Fabricantes de reboques, semirreboques e carrocerias sobre chassi são os responsáveis por transformar caminhões em veículos aptos a transportar grãos, combustíveis, alimentos, insumos industriais e mercadorias destinadas ao comércio.

Os números mostram a relevância da atividade. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (ANFIR), o setor faturou cerca de R$ 19,1 bilhões em 2025, reúne aproximadamente 1,6 mil empresas e gera mais de 51 mil empregos diretos. No mesmo ano, foram emplacados 149.206 implementos no país, sendo 70.997 reboques e semirreboques e 78.209 carrocerias sobre chassi.

A atividade acompanha os ciclos da economia e do agronegócio. Após registrar 151.041 unidades em 2023, o mercado alcançou 159.203 implementos em 2024, o melhor resultado da série recente. Em 2025, houve retração de 6,3%, reflexo principalmente da queda de 19,9% nos segmentos de reboques e semirreboques ligados ao transporte de grãos e cargas pesadas. As carrocerias sobre chassi, porém, avançaram 10,8%, amortecendo a desaceleração.

As exportações reforçam a competitividade do setor. Em 2025, o país embarcou 4.959 implementos pesados, volume 43,5% superior ao registrado no ano anterior.

Para Rogério Mallmann, diretor-executivo da ABRADIGUE, a dimensão econômica da atividade costuma ser subestimada. “Caminhão sem implemento não gera transporte. É o implemento que transforma a força do caminhão em frete, e é o frete que leva a safra ao porto e o produto à prateleira. Quando somamos as carrocerias sobre chassi e os rebocados, enxergamos o tamanho real de uma indústria vital para o PIB brasileiro”, afirma.

Os dados mais recentes apontam estabilização. Entre janeiro e setembro de 2026, foram comercializados 109.715 implementos, apenas 1,5% abaixo do mesmo período do ano anterior. Os reboques e semirreboques voltaram ao campo positivo, com 53.774 unidades e alta de 0,2%.

“O desempenho do setor de Reboques e Semirreboques pode ser um sinal de que estamos a caminho do equilíbrio, indicando que a recuperação está se consolidando”, afirma José Carlos Spricigo, presidente da ANFIR.

O protagonismo do Rio Grande do Sul chama atenção. Dados do IBGE mostram que a fabricação de cabines, carrocerias e reboques gerou R$ 12,02 bilhões em valor de produção no Estado em 2024. Em âmbito nacional, a atividade movimentou R$ 34,67 bilhões. Na prática, os gaúchos responderam por 34,7% de toda a produção brasileira do segmento.

Levantamento da ABRADIGUE identificou 28 fabricantes de implementos instalados no Estado. O principal polo está em Caxias do Sul, sede de marcas como Randon e Guerra, mas a cadeia produtiva se espalha por diferentes regiões e é complementada por uma ampla rede de fornecedores de componentes.

O impacto sobre o emprego é ainda mais expressivo. Segundo o Cadastro Central de Empresas do IBGE, a fabricação de cabines, carrocerias e reboques empregava 67.484 trabalhadores no Brasil em 2024, mais que o dobro dos 30.264 registrados na fabricação de caminhões e ônibus. No Rio Grande do Sul, a diferença é ainda maior: eram 18.576 trabalhadores contra 3.139 na indústria de caminhões e ônibus.

Além de liderar a produção, o Estado também está entre os maiores mercados consumidores. Entre janeiro de 2023 e setembro de 2026, foram emplacados 23.567 reboques e semirreboques no Rio Grande do Sul, o equivalente a 7,8% do mercado nacional, atrás apenas de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Pouco conhecida fora dos círculos especializados, a indústria de implementos conecta produção, transporte e distribuição em uma única cadeia. Em um país fortemente dependente das rodovias, tornou-se uma das bases da competitividade nacional e um dos setores que ajudam a manter o PIB brasileiro em movimento. (por GiseleFlores -gisele@pampa.com.br)

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Fonte: Foto: Reprodução., Gisele Flores, Redação Jornal O Sul

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