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Inventor do rádio, o padre gaúcho Landell de Moura é tema de exposição em Porto Alegre - Rádio São José do Patrocínio

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Inventor do rádio, o padre gaúcho Landell de Moura é tema de exposição em Porto Alegre

O Museu de Ciências e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre, abriu nesta semana a exposição “Landell de Moura: 100 Anos de História do Rádio”. A mostra relembra a trajetória do padre e cientista gaúcho Roberto Landell de Moura (1861-1928), considerado pioneiro da radiofonia, e os 130 anos da primeira transmissão sem fio por ele realizada, com equipamentos distantes 8 quilômetros um do outro.

Em cartaz pelos próximos três meses, a exposição pode ser visitada de terça a sexta-feira (9h-17h), e aos sábados e domingos (10h-18h). O evento foi desenvolvido a partir de uma parceria entre a Escola de Humanidades, Escola de Comunicação, Artes e Design e o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul (IHGRGS). A curadoria é de Edison Hüttner (PUCRS) e Thais Nunes Feijó (IHGRGS).

Fundado há mais de 70 anos, o Museu de Ciência e Tecnologia da PUCRS está alinhado ao princípio de difundir o conhecimento por meio de acervos e exposições da universidade, localizada na Zona Leste de Porto Alegre – o site é pucrs.br. Diariamente, a instituição recebe os mais variados perfis de público, que só ano passado totalizaram mais de 200 visitantes, muitos dos quais por meio de excursões escolares.

Trajetória

Natural de Porto Alegre, Landell de Moura é reconhecido internacionalmente por sua contribuição no segmento de telecomunicações. Descobertas e invenções avançadas para a época são a ele atribuídas, bem como análises sobre psicologia, educação e religião.

Sua carreira na área de ensino o conduziu à Escola Politécnica no Rio de Janeiro e, posteriormente, à Itália, onde recebeu formação em Teologia e foi ordenado sacerdote em 1886. Durante sua estadia em Roma, lançou as bases de pesquisas que culminaram na revolucionária transmissão à distância e sem cabos, posteriormente reconhecida como a essência da radiodifusão.

Contemporâneo de Alexander Graham Bell (Inglaterra-EUA), Heinrich Rudolf Hertz (Alemanha), Guglielmo Marconi (Itália) e Nikola Tesla (Sérvia), Landell de Moura demonstrou os primeiros sinais da genialidade na adolescência: com apenas 16 anos, afirmava em manuscritos ter inventado um aparelho telefônico semelhante ao de Graham Bell.

Uma das principais controvérsias envolvendo o padre porto-alegrense, aliás, é sua atribuição como a primeira pessoa a realizar uma transmissão radiotelegráfica. Isso teria ocorrido anos antes do italiano Guglielmo Marconi criar o primeiro sistema de telegrafia sem fio, em 1896, mas um consenso histórico e científico mundial continua a favorecer o italiano, vencedor do prêmio Nobel de física em 1909.

De acordo com o biógrafo Rodrigo Visoni, autor do livro “Roberto Landell de Moura, o Precursor do Rádio” (Editora Tamanduá Arte, 2018), esse suposto pioneirismo do inventor gaúcho foi motivado por um nacionalismo exacerbado – o mesmo sentimento que ainda hoje faz muitos brasileiros acreditarem que Santos Dumont foi o inventor da aviação, por exemplo.

Uma coisa, porém, é dada como certa: em 1890, Landell de Moura foi o primeiro a demonstrar publicamente uma transmissão de voz por meio de ondas de rádio, durante viagem a São Paulo. Um ano depois, patenteou o seu telefone sem fio no Brasil e depois no Estados Unidos, onde também registrou um telégrafo sem fio.

De volta ao Brasil, não obteve o apoio oficial para avançar em seus projetos. Para isso também pesou o fato de suas inovações terem eficácia limitada (um recente teste com um modelos de telefone por ele inventado revelam um grau considerável de distorção das vozes. Fato que não reduz a importância do padre-cientista.

Uma de suas descobertas mais avançadas foi ter constado, em 1891, que ondas curtas (de alta frequência) são mais adequadas para transmissões de longa distância. Essa informação se tornaria consenso somente na década de 1920.

Também se atribui a ele a criação, em 1904, de um protótipo de equipamento capaz de transmitir imagens através de ondas eletromagnéticas – o que pode ser considerado, de certa forma, um precursor da televisão, que Landell batizou (sem trocadilhos) de “Teleforama”. Mas não há registro de experimento ou do modelo montado.

Fonte: Foto: Reprodução,  Redação O Sul

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