“Eu achei estranho porque ele respondia na mesma hora, quando não podia atender, ele falava. Liguei na universidade e perguntei se ele foi na aula naquele dia e uma moça disse que não podia passar aquela informação. Eu fiquei de pés e mãos atados”, lembrou a mãe.
Sem sucesso na ligação com a universidade, Erenice falou que buscou por amigos do filho no Instagram, até que achou o perfil de uma colega dele. Algumas horas depois, a menina viu a mensagem e contou que Brendon não foi à aula naquele dia.
Ainda mais preocupada após a informação, Erenice falou que pediu ajuda e a jovem se dispôs a pedir algum colega para ir até a casa do estudante. Quase 10 horas depois da mensagem de “bom dia”, Erenice teve a informação que a levou ao desespero. Um colega de Brendon pulou o muro da casa dele e encontrou o corpo no quarto.
Erenice contou que mora em Pires do Rio, no sudeste de Goiás, e o filho estava em Goiânia desde o dia 17 de abril para cursar jornalismo na UFG. Aos 18 anos, o jovem, que tinha diabetes tipo 1, havia passado em 1º lugar no curso de graduação.
Vivendo com diabetes tipo 1, Brendon tinha uma vida normal, segundo a mãe. Erenice disse que há mais de um ano o filho não necessitava ser internado e só ia às unidades de saúde para as consultas rotineiras.
“Na declaração de óbito diz que a causa foi ‘complicação da diabetes’, mas não sabemos se foi convulsão ou parada cardíaca. O perito disse que mais provável que tenha sido uma convulsão”, ponderou a mae.
O laudo com a causa da morte deve ficar pronto em até 30 dias, após a conclusão da Polícia Científica.Segundo Erenice, uma colega de Brendon relatou que o jovem havia reclamado sobre estar passando mal na quarta-feira pela manhã, durante a aula. No entanto, ela disse que, apesar de ser próxima a ele, que ele não havia contado a ela sobre estar passando mal.”Ele não gostava de me incomodar e acho que para não me preocupar, não me contou. Ele costuma desmaiar e quando isso acontece, precisa ir para o hospital. Se eu soubesse que ele estava passando mal, tinha vindo na hora”, lamentou Erenice.
A última vez em que Erenice viu o filho pessoalmente foi no último fim de semana antes da morte dele, quando esteve em Goiânia e ficou três dias junto com o filho. Na ocasião, ele estava empolgado e “queria mostrar tudo para ela”, desde o prédio em que ele estudava até os “macaquinhos da UFG”.
Um dia antes do corpo ser encontrado, em 3 de maio, Erenice contou que conversou com o filho, depois que ele voltou da aula, mas que depois não teve mais notícias dele.
“A tarde ele já não visualizou, eu achei que ele estava dormindo. Quinta ele não atendia”, descreveu a mãe.
Carinhoso, responsável e uma pessoa que amava viver. É assim que Brendon é descrito pela mãe. Brendon nasceu em Pires do Rio, no sudeste de Goiás, no dia 7 de setembro de 2004. Ao g1, Erenice contou sobre a proximidade da relação que Brendon tinha com ela e com o irmão, de apenas dois anos.
“Era meu companheiro. Ele tinha um irmão de dois anos, que tinha síndrome de down e era o amor da vida dele”, contou.
Segundo Erenice, o filho estava em um momento feliz da vida dele, uma vez que o menino havia acabado de entrar na faculdade da profissão em que sonhava seguir. Ela conta que o filho escolheu o jornalismo como profissão pela paixão pela escrita e revelou que o jovem já escreveu três livros completos, estando escrevendo o quarto, e que um de seus grandes sonhos era algum dia publicá-los.
De acordo com Erenice, como a família é do interior goiano, o filho morava sozinho há apenas alguns dias para estudar na capital.
“Ele era um aluno muito dedicado, comportado. Estava apenas estudando e morava próximo à faculdade”, diz a mãe.
Recém-aprovado na faculdade, Brendon se formou no Ensino Médio em 2022 e logo foi aprovado no curso e na universidade em que desejava estudar. Muito orgulhosa, a mãe conta que sempre incentivava o filho a todos os planos, desejos e sonhos que ele tinha.
Na última conversa que tiveram, Erenice se lembra que ela e o filho conversaram sobre como ele faria para emitir um passaporte para realizar o sonho de conseguir viajar para fora do país.
Apaixonado por comunicação, a mãe conta que Brendon já estava empolgado para conseguir um emprego na área e conseguir experiência em todas as áreas possíveis.
“Ele queria começar a trabalhar em rádio, mas queria experiência em todos os setores do jornalismo”, contou Erenice.
A mãe ainda conta que, além da escrita, o filho tinha outros talentos, como o desenho e o gosto pelo esporte. Ela lembra que, quando criança, o menino fazia gibis para vender na escola. Já na faculdade, logo de cara ele se inscreveu para o time de vôlei.
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