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Pesca na ponte é tradição entre os veranistas de Imbé e Tramandaí

Mesmo que seja só por alguns dias durante a temporada de verão, a mudança de estilo de vida da cidade ou do interior do Rio Grande do Sul para a praia provoca também a mudança de alguns hábitos. Um deles é consumir mais pescados. Alimento abundante no Litoral Norte e mais em conta que outras proteínas, como a carne de gado ou frango. Em Tramandaí e Imbé, há quem prefira também ir atrás do seu próprio peixe. Na ponte Giuseppe Garibaldi, que liga as duas margens do Rio Tramandaí, veranistas e nativos dividem espaço com seus caniços e tarrafas para pescar de forma amadora e até profissional. Uma tradição de décadas, praticamente um patrimônio imaterial das duas cidades, já tratado como um atrativo turístico.

O morador de Tramandaí, Paulo Sérgio Maciel, 55 anos, conhece bem as águas do rio. Diz pescar “a vida toda” no local. Hoje ele vende a sua produção diária, de cerca de 20 quilos, capturados “só no caniço” em uma das plataformas existentes na margem direita do canal, próximo à ponte. “No inverno dá peixes maiores, como a tainha. Mas por aqui, o mais comum é bagre, corvina, robalo e sardinha”, lembra. Este último, a sardinha, ele considera como um “bicho bobo”, só por que é fisgado no anzol mesmo sem isca alguma.
O conhecimento de Maciel, obtido pela experiência como pescador, é ratificado pelo oceanólogo e professor do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar/UFRGS) Fábio Lameiro. “Ali o pessoal busca mais a captura da sardinha, que também é chamada de manjubinha. Também tem outros capturados ali, como o peixe-rei, que tem duas espécies, o de cauda preta e o de cauda vermelha”, acrescenta. O professor também confirma a presença dos outros peixes citados pelo pescador Maciel, mas acrescenta que há ainda algumas espécies de pampo e guaiviras.

No meio da ponte, bem no limite entre Tramandaí e Imbé, Ademir Silveira de Ávila, 71, e a esposa Neci Lopes, 69, pescam há mais de dez anos no rio. O casal de 43 anos, que é de Arroio dos Ratos, é viciado na pescaria. “Sempre fico na expectativa do peixe maior”, conta Neci. “A gente pega bastante sardinha aqui, mas às vezes a gente pega um bagre grande. Mas daí soltamos, porque este não pode ser pescado”, destaca. E o que o casal faz com os peixes? Segundo Ávila, são distribuídos para a família e vizinhos. Alguns são vendidos. “Outros a gente limpa, leva e faz frito ou na panela de pressão”, revela.

Apesar de não existir restrição quanto ao tamanho para captura da sardinha, Lameiro alerta que a pesca excessiva de pequenos indivíduos pode ser uma ameaça ao futuro das manjubinhas no estuário. “Não tem por lei um tamanho mínimo de captura. O tamanho máximo da sardinha, que se tem registro, é de 24 centímetros. Mas geralmente chegam a 20 centímetros. Se estão capturando indivíduos pequenos, provavelmente eles não se reproduziram e isso pode causar algum impacto ao estoque pesqueiro”, explica. O oceanólogo também lembra de restrições em lei, como do peixe-rei, com permissão de capturas a partir de 10 centímetros. “Estamos na época de reprodução, de piracema, que vai de 15 de dezembro a 31 de março, e algumas espécies não podem ser capturadas, como os bagres marinhos, conforme o decreto estadual 51.197 de 2014 e a portaria MMA 445 de 2014”, coloca.

Fonte: Correio do Povo

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