A delegacia ainda tenta individualizar a conduta, através de diligências, para tentar descobrir quem cometeu a esganadura contra a criança.
A reprodução simulada da polícia foi feita com a presença de Alan e Suelen. Um boneco fez o papel de Kauã. Segundo os policiais, os dois entraram em contradições durante o exame.
A mãe afirmou que o menino teria sido encontrado de um lado da janela, e o padrasto disse que ele foi achado do outro lado.
Alan e Suelen foram presos de forma temporária no sábado (9), na casa para onde se mudaram. Eles negaram qualquer envolvimento na morte de Kauã.
Policiais usaram um boneco na reprodução da morte de Kauã. Investigadores verificaram que ele morreu por esganadura e não por suicídio — Foto: Reprodução
O que padrasto e mãe contam
Em depoimento, o padrasto afirmou que levantou para pegar água na cozinha e encontrou Kauã preso a uma corda, pendurado, com os joelhos dobrados e os pés encostados no chão, com uma corda no pescoço.
A corda, que seria a guia de um cachorro, estaria presa na tranca da janela.
Já a mãe afirmou que o padrasto encontrou o menino por volta das 15h, e que chegaram a levar Kauã para atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santa Luzia. Ao chegar no local, segundo a mulher, ele vomitou.
“Eles disseram que a criança teria vomitado dentro do carro, e as testemunhas e a perícia comprovaram que não houve nenhum tipo de vômito dentro do veículo“, afirmou o delegado.
Segundo os investigadores, a UPA para onde o casal levou o menino fica mais distante da casa da família e que havia uma outra unidade de saúde que ficava apenas dez minutos de distância, mas que Suelen e Alan optaram pelo local mais longe.
“Ele não teria como alcançar a corda lá em cima, na janela. E de onde saíram esses sinais de esganadura no pescoço? Ninguém se esgana sozinho. Acredito que, quando ele foi pendurado, ele já estivesse morto”, disse o médico legista Júlio César Cury, consultado pelo Fantástico.
Kauã Almeida Tavares, de 10 anos, morreu em março — Foto: Reprodução
Testemunhas que conheciam a família afirmaram à polícia que Kauã vinha sofrendo maus-tratos dentro de casa.
“Certa vez, Kauã foi violentado fisicamente pela mãe, levando uma surra com cabo de vassoura. Ele também sofria uma violência psicológica. Ele sofria essas violências físicas constantemente”, afirmou o delegaco Fabio Asty.
Alan e Suelen foram presos pela morte de Kauã no sábado (9) — Foto: Reprodução/ TV Globo
Avó diz que menino era alegre
A avó da criança, Renata Silva da Conceição, afirmou que está assustada com o caso e pediu justiça. Ela contou que Kauã era um menino alegre e que acredita que ele “não faria isso com ele mesmo”.
“É uma dor que você não tem noção. Eu trabalho e vem a lembrança do meu neto. O que aconteceu? Muito triste para mim, mãe, saber que Deus deu um poder para ela ser mãe e tirar a vida do meu neto. É muito triste! É muito triste”, disse a avó.
Fonte:g1